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Da autoria de Carlos Vaz Marques e de Graça Fonseca, o filme documental sobre José Luís Peixoto apresentado na RTP1, já está disponível AQUI

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Tenho pena que estas palavras não sejam capazes de abrandar-te o ressentimento. O lugar onde existem, onde são capazes de chegar, não toca o lugar onde conservas esse ressentimento cristalizado. Estas palavras e o teu ressentimento são como universos paralelos num filme de ficção científica, coexistem no tempo, mas são absolutamente paralelos, estão condenados a nunca se encontrar. Constato esta impossibilidade e tenho pena. Creio que aproveitarias melhor o tempo sem esse chumbo ou, pelo menos, sem algum do seu peso. Tudo isto te parece estrangeiro, não te diz respeito. Não chamas ressentimento a essa força que te faz cerrar os dentes, a esse incómodo, não vês motivos para ver-te livre dele ou, sequer, para abrandá-lo. Habituaste-te a ele, acreditas que faz parte de ti. 

 

Sentes que foi cometida uma injustiça em relação a ti. Essa injustiça pode ter acontecido efetivamente, pode ter sido bastante cruel, mas também pode não ter acontecido. Não é isso que importa, apenas conta sentires que foi cometida uma injustiça em relação a ti. Sentes que a injustiça te inferioriza, talvez não te tenham reconhecido como achas que merecias. Essa dor, ruminada durante anos, formou o ressentimento que conservas. 

 

Agora, o mal-estar é já uma condição física. Passou das emoções para a atitude e, logo depois, passou da atitude para o corpo. Agora, vês o mundo através do ressentimento, é como um filtro, cobre-te o olhar. E, por isso, só já consegues pensar por intermédio dele. Seriam necessários anos de intensa fisioterapia para retirar-te o ressentimento da postura. A nível interno, está diluído em todos os teus fluídos. Ao correr-te no sangue, chega às artérias mais finas, irriga-te todos os órgãos. 

 

Sentes que foi cometida uma injustiça em relação a ti. Acreditas que essa dor te confere direitos. Precisas de infligir essa mesma dor aos outros. Hão de sofrer como sofreste, como sofres ainda. Acreditas que os outros merecem essa dor. Afinal, são eles os privilegiados. A balança que te castigou, favoreceu-os a eles. Os “outros” podem ser um grupo mais ou menos restrito, com características definidas, ou podem ser o mundo inteiro. Em qualquer dos casos, estás convencido de que o cinismo te protegerá. Não voltarás a acreditar em ilusões, enganos tocados pela inevitável injustiça, que apenas têm o propósito de conduzir-te a nova dor. Mas não conseguirão fazer-te sofrer de novo, perdeste essa inocência para sempre. Agora, serão eles a sofrer. E assim te intoxicas nos vapores do veneno que julgas guardar para os outros. 

 

Tenho tanta pena que estas palavras não sejam capazes de abrandar-te o ressentimento. Imagino estas palavras a chegarem à tua compreensão e, ao serem entendidas, a dissolverem essa pedra que carregas no interior. Também as palavras têm uma existência simultaneamente imaterial e material. É por isso que alimento esta fantasia. Imagino estas palavras a desembaraçarem um equívoco que te paralisa. Como aquele leão feroz dos desenhos animados a quem tiram um pico da pata e que fica dócil de um momento para o outro. Sim, já sei que, pela lente do cinismo, “dócil” é um adjetivo para fracos, mas repara como todo o mundo é fraco pela lente do cinismo. É provável que estas palavras te pareçam estrangeiras, que aches que não te dizem respeito. Tenho pena que estas palavras sejam incapazes de dizer-te que não merecias essa injustiça. Ninguém merece essa dor. Ninguém merece esse ressentimento ou seja lá como for que prefiras chamar-lhe. 

 

 

José Luís Peixoto, in jornal Ponto Final (Macau)

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Textos de José Luís Peixoto en Confabulario, el suplemento cultura de El Universal

(Tradución de Diana Alcaraz)

 

14/11/2020 - Los professores

07/11/2020 - Noticias del presente sin futuro

31/10/2020 - Lo que dicen los abrazos

24/10/2020 - Estar bien

 

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José Luís Peixoto iniciou a publicação de uma coluna no suplemento cultural do jornal El Universal, no México. 
 
A primeira colaboração pode ser lida aqui:

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https://www.joseluispeixotoemviagem.com/

https://papeisjlp.blogs.sapo.pt/

 

Tras el lanzamiento de la novela Autobiografía en España, José Luís Peixoto ofrece la charla "Un homenage a la figura del premio Nobel José Saramago" en Club Faro de Vigo, el 9 de Octobre a las 20h.

 

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https://www.joseluispeixotoemviagem.com/

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A editora romena Pandora M acaba de publicar o romance Autobiografia, de José Luís Peixoto, na coleção Anansi.World Fiction.

A tradução é de Simina Popa.

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José Luís Peixoto estará presente na 39ª edição da Feria del Libro de Badajoz para apresentar o romance Autobiografía, publicado em Espanha pela Penguin Random House.

 

16 setembro, 19h - Feria del Libro de  Badajoz, Paseo San Francisco, Carpa de Conferencias 

 

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José Luís Peixoto estará presente nas seguintes sessões de apresentação do livro de poesia  Regresso a Casa:

 

Leiria - 11 Setembro, 17h, Livraria Arquivo (Av. Combatentes da Grande Guerra 53, 2400-159 Leiria)

 

Porto - 12 Setembro, 15h, Feira do Livro do Porto, stand 66 a 73 - (Jardins do Palácio de Cristal) - Sessão de Autógrafos

 

Valongo - 12 Setembro, 21h30, Biblioteca Municipal de Valongo (Av. do Conhecimento, 4440-238 Valongo)

 

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A 90ª edição da Feira do Livro de Lisboa contará com a presença de José Luís Peixoto nos dias 29 de agosto e 5 de setembro para sessões de autógrafos.

 

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Regresso a Casa é o novo livro de poesia do José Luís Peixoto. Editado pela Quetzal, está já disponível nas livrarias portuguesas.

 

O autor falou deste regresso à poesia aqui:

 https://www.rtp.pt/noticias/cultura/poesia-de-jose-luis-peixoto-esta-de-regresso-a-casa_a1251491

 

As edições brasileiras (Dublinense) e mexicana (Cuadrivio) estarão disponíveis em setembro.

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Arquivo de recortes sobre José Luís Peixoto e a sua obra.


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