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Galveias no mundo é um blogue onde se podem ver fotos de leitores com o romance Galveias em diversos lugares do mundo. Para aceder a essas imagens, clique AQUI

 

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publicado às 09:29

Dívidas

26.07.15

  

Quanto devemos aos bombeiros voluntários? Enquanto estamos aqui, preocupados com os nossos assuntos, a tratarmos daquilo que nos diz respeito, eles estão disponíveis para serem arrancados da sua vida e colocados à frente de chamas, incêndios que não foram ateados por eles, a arrasarem propriedades que não lhes pertencem. É domingo à tarde, por exemplo, e, de repente, estão num carro a alta velocidade, arrastam uma sirene desesperada ao longo do caminho. Encontram aflição quando chegam, desenrolam uma mangueira áspera e respiram golfadas de fumo que lhes mascarra as faces. Passam horas assim e, no final de tudo, a sua recompensa será assistir à desolação de um campo negro e, talvez, beber de um pacote de leite oferecido por alguém.

 

Há bombeiros voluntários que morrem durante esse trabalho. Quanto devemos à sua memória? Quanto devemos às famílias desses bombeiros mortos? Agora, onde estiverem, sentem a sua ausência em todos os dias. São pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos que imaginam como seria a vida daqueles que perderam, imaginam-nos com idades que nunca chegarão a ter.

 

Quanto devemos aos técnicos do INEM? Quanto devemos aos enfermeiros? Quanto devemos às pessoas que recebem os doentes nas urgências dos hospitais? São poucos os que têm paciência de preencher os papéis, mas os papéis precisam de ser preenchidos.

 

Quanto devemos aos professores? Não sabem onde vão trabalhar para o ano, não sabem se terão trabalho. Quanto devemos aos jovens em cubículos de call-centers? Quanto devemos aos estagiários não remunerados? Quanto devemos aos vendedores com excesso de habilitações? Quanto devemos aos desempregados?

 

Quanto devemos aos músicos? Depois de aprenderem a tocar, passam anos a fazê-lo de borla para nosso divertimento e, garantem-lhes, para mostrar o seu trabalho. Ao fim da noite, entre o público, poucos considerarão trabalho aquilo que eles fizeram. E quanto devemos aos bailarinos? Quanto devemos às bailarinas? Quanto devemos às atrizes? De repente, colocam-nas no centro de todos os olhares, de todos os julgamentos, a troco de uma oportunidade. Uma oportunidade de quê? Uma oportunidade de uma oportunidade. Serão velhas e terão a mesma maquilhagem. Quanto devemos a todos os que trabalham para que exista teatro e cinema neste país?

 

Quanto devemos aos desportistas das chamadas modalidades amadoras? Levam o equipamento na mochila, vão para o treino depois do trabalho, chegam tarde a casa. Os fins-de-semana são pequenos, acabam depressa. E quanto devemos aos atletas paralímpicos? Com muita probabilidade, quando os jogos forem notícia, havemos de contar medalhas de modalidades que desconhecemos e teremos moral para exigir; diremos cinco ou seis, sem nos lembrarmos que, atrás de cada uma, está o esforço contínuo de alguém durante anos.

 

Já que falamos nisso, quanto devemos àqueles que têm mobilidade reduzida e que não podem sair de casa? Não há rampas, há carros estacionados em cima de passeios com buracos, não há dinheiro para comprar a cadeira de rodas adequada. São prisioneiros sem culpa formada, sem acusação, sem julgamento. Foram condenados a prisão domiciliária. Não há data marcada para o fim da sua pena.

 

Quanto devemos aos guardas prisionais? Estão agora atrás de muros, rodeados de ameaças. Quanto devemos aos homens do lixo? Queixamo-nos do barulho que fazem quando recolhem o nosso próprio lixo. Não queremos ser incomodados, estamos a repousar. Quanto devemos às mulheres-a-dias? Havemos de culpá-las se desaparecer alguma coisa. Quanto devemos aos coveiros?

 

E quanto devemos aos credores internacionais? Definiram juros e emprestaram aquilo de que não precisavam a outros que estavam aqui e que se retiraram na hora de pagar. Ficámos cá nós, não temos para onde ir. A propósito, quanto devemos àqueles que emigraram? Deixaram a família contra a sua vontade. Vimo-los partir. Sentimos a sua falta.

 

Afinal, quanto devemos aos bancos e às instituições económicas internacionais? Nunca lidámos com elas. Os acordos foram feitos em nosso nome mas, tantas vezes, sem o nosso conhecimento. Enquanto isso acontecia, estávamos a viver, acreditando que contribuíamos para a construção, dignidade e prosperidade do país a que pertencemos. Quanto devemos a nós próprios?

 

Não se trata de não pagar as nossas dívidas, trata-se de saber a quem devemos.

 

José Luís Peixoto, in revista Visão (Julho 2015)

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publicado às 08:40

7 títulos da autoria de José Luís Peixoto fazem parte da selecção do Plano Nacional de Leitura:

 

- "Confusão no Corredor dos Enlatados", edição Clube do Leitor, 2015 (Projecto Zero Desperdício) - indicado para leitura autónoma de alunos do 3º ano.

 

- "A Mãe que Chovia", Quetzal Editores, 2012 - indicado para leitura autónoma de alunos do 3º cíclo (7º a 9º ano).

 

- "Livro", Quetzal Editores, 2010 - indicado para alunos do secundário (10º a 12º ano).

 

- Morreste-me, Quetzal Editores (1ª edição de 2000) - indicado para alunos do secundário.

 

- Dentro do Segredo, Quetzal Editores, 2012 - indicado para formação de adultos.

 

- Abraço, Quetzal Editores, 2011 - indicado para formação de adultos.

 

- Galveias, Quetzal Editores, 2014 - indicado para formação de adultos. 

 

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publicado às 18:01

José Luís Peixoto escreveu livro infantil "Confusão no Corredor dos Enlatados" para apoiar uma campanha contra o desperdício alimentar levada a cabo pelas associações Zero Desperdício e Dariacordar. Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, o livro está disponível em todas as escolas concelho. O livro é ilustrado por Catarina Bakker. 

 

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publicado às 11:23

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publicado às 15:32

Dia 16 de junho, 10h, Faculdade de Letras da UFRJ, na Sala João do Rio.

 

Dia 17 de junho, 19h, Colégio Pedro II (Humaitá), conversa com Paula Fábrio e Juve Batella, no âmbito do encontro literário Rio em Prosa

 

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publicado às 14:54

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publicado às 01:48

No Jardim de São Pedro, ou noutros espaços da terra, é fundamental encontrar alguém para conversar sobre a vida e as histórias de Galveias.

 

Terreiro - Referido em Galveias, Abraço, Nenhum Olhar.

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Fonte - Lugar onde o Ilídio é abandonado no início de Livro.

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Rua de São João, Rua JL Peixoto - Presentes em diversos textos de Abraço.

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Caminho até Monte de Sepúlveda - José faz esse caminho a pé por diversas vezes no romance Nenhum Olhar. Isabella é morta na berma desse caminho no romance Galveias.

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Herdade do Cortiço (antes de chegar ao Monte da Torre à esquerda) - Campo onde cai a coisa sem nome do romance Galveias.

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Monte da Torre de Sepúlveda - Inspiração para Monte das Oliveiras no romance Nenhum Olhar.

 

Clicar para ver foto do Monte da Torre de Sepúlveda.

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Fonte da Moura - Inspiração para barragem do conto "O último dia de todos os verões", do livro Cal.

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Capela de São Saturnino - Lugar onde se passa cena final de Galveias

 

Clicar para ver foto da Capela de São Saturnino.

 

 

Outros locais de interesse:

Nicho do trabalhador

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Igreja matriz

Igreja da Misericórdia

Escola Primária 

  

 

A presença de Galveias é muito viva nos livros Nenhum Olhar, Cal, Livro, Galveias, Abraço ou Morreste-me, mas existem também referências menos evidentes em Cemitério de Pianos ou mesmo em Uma Casa na Escuridão.

 

Para além destes, existem diversos espaços que estão presentes nestes livros, mas que não são aqui recomendados por serem privados ou de visita inapropriada.

 

 

Há, naturalmente, muitos outros pontos de interesse, como é o caso das piscinas Oásis no verão. Estas sugestões não impedem uma descoberta espontânea de Galveias. Pelo contrário, encorajam-na. 

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publicado às 01:11

José Luís Peixoto autografará os seus livros na Feira do Livro de Lisboa no dia 31 de maio, domingo, a partir das 15h, junto à área da Quetzal Editores (Porto Editora).

Devido a diversos compromissos, essa será a única ocasião em que o autor poderá estar presente. 

 

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publicado às 09:46

José Luís Peixoto sera à la Comédie du Livre à Montpellier le 29 et le 30 mai .
Il prendra part dans les suivants débats:

 

Le 29 mai:

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Le 30 mai:

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José Luís Peixoto fera dédicaces, le 29 mai, vers 15.30, à Gibert Joseph (P1). 

 

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publicado às 23:58



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Arquivo de recortes sobre José Luís Peixoto e a sua obra.

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